Brasília, 21 de julho de 2025 – No último dia 15 de julho, foi realizada no Senado Federal, em formato semipresencial, a 3ª Reunião Ordinária da Subcomissão Temporária para Acompanhamento da COP 30 (CMACOP30). A sessão foi presidida pela senadora Leila Barros (PDT/DF) e teve como pauta a apresentação de representantes do Executivo responsáveis pela organização da conferência, além da deliberação de requerimento para diligência externa.
Na abertura da reunião, a senadora Leila Barros destacou a importância da COP 30, que ocorrerá em Belém (PA), em novembro de 2025, e reiterou o compromisso da subcomissão com a fiscalização e a articulação para o sucesso do evento. A parlamentar explicou que a sessão seria dividida em duas partes: a primeira voltada à audiência pública com autoridades convidadas, e a segunda destinada à deliberação de requerimento.
Participaram como expositores o secretário extraordinário da COP 30, Walter Correa, e a embaixadora Liliam Chagas, diretora de Clima e Negociadora-Chefe do Brasil no Ministério das Relações Exteriores. O embaixador Maurício Lyrio, também convidado, não pôde comparecer por incompatibilidade de agenda.
Logística e governança da COP 30.
Walter Correa apresentou um panorama detalhado da organização da conferência. Segundo ele, a COP 30 reunirá 198 partes – 197 países e a União Europeia – e será o maior evento do sistema ONU em 2025. A estrutura será dividida entre a zona azul, voltada às negociações formais sob jurisdição da ONU, e a zona verde, dedicada à sociedade civil e a debates paralelos.
Entre os principais pontos destacados:
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- Infraestrutura: O evento será sediado no Parque da Cidade, em Belém, com estruturas temporárias de grande porte, totalizando 160 mil m² cobertos apenas na zona azul;
- Hospedagem: Serão disponibilizados mais de 28 mil quartos em Belém por meio de hotéis, imóveis privados, cruzeiros e unidades militares. A “Vila dos Líderes”, com 406 apartamentos, será destinada a chefes de Estado e altos delegados da ONU;
- Mobilidade e conectividade: Estão previstos corredores exclusivos e transporte gratuito para credenciados, com conectividade assegurada por contrato com a Telebras;
- Segurança: A operação contará com forças integradas das Forças Armadas, Polícia Federal, ABIN e segurança local, abrangendo inclusive as áreas cibernética e aérea;
- Saúde: Atendimento será realizado pelo SUS e pela rede privada, com recomendações de vacinação para participantes internacionais;
- Sustentabilidade: O evento terá alimentação com 40% de opções vegetarianas ou veganas e 30% de insumos da agricultura familiar, sendo neutro em carbono, com compensação voluntária e auditoria externa;
- Vistos: Um e-Visa gratuito foi criado para todos os participantes credenciados.
Correa concluiu informando que a COP já impacta positivamente a economia do Pará, principalmente nos setores de turismo, serviços e infraestrutura, e que todas as obras estarão concluídas até o início do evento.
Agenda diplomática e negociações internacionais
A embaixadora Liliam Chagas abordou a dimensão diplomática da conferência. Ela ressaltou a responsabilidade histórica do Brasil, que sediou a Rio-92 e é signatário fundador da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.
Segundo a diplomata, a COP 30 não contará com um tema único, mas avançará em várias frentes: mitigação, adaptação, financiamento climático justo, transferência de tecnologia e inclusão de gênero e povos tradicionais. Ela afirmou que o Brasil está empenhado em promover uma conferência centrada em soluções, com quatro dimensões principais:
- Negociações formais;
- Agenda de ação da sociedade civil e do setor privado;
- Cúpula de chefes de Estado (6 e 7 de novembro);
- Articulação com o sistema financeiro internacional.
Liliam destacou que a reunião preparatória de junho, em Bonn, na Alemanha, teve avanços, incluindo rascunhos de decisão sobre todos os temas em pauta, o reconhecimento dos povos indígenas e a inédita sinergia entre as convenções de clima, biodiversidade e desertificação. Reforçou ainda que o Brasil apoia a elaboração de um roteiro para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais até 2030, com foco em apoiar países em desenvolvimento sem recorrer ao endividamento, em parceria com economistas internacionais.
Debates parlamentares e encaminhamentos
Durante os debates, a senadora Leila Barros levantou preocupações com relação à hospedagem, custo das diárias e inclusão social no evento. Mencionou relatos de que delegações podem ser reduzidas devido à dificuldade de acomodação e perguntou sobre parcerias com a sociedade civil, conectividade e legado para Belém.
Em resposta, Walter Correa informou que o governo está negociando diretamente com hotéis e plataformas de aluguel, além de firmar contratos com navios de cruzeiro, com o objetivo de controlar preços e garantir vagas para países em desenvolvimento. Um acordo com a UNFCCC está sendo fechado para formalizar a distribuição das acomodações.
Sobre mobilidade e conectividade, Correa destacou que haverá ônibus gratuitos com faixas exclusivas e que o contrato com a Telebras cobrirá toda a infraestrutura do evento, inclusive nos navios. Quanto ao legado, informou que os investimentos ultrapassam R$ 5 bilhões e beneficiarão permanentemente a infraestrutura, o turismo e os serviços da região Norte.
Por fim, foi aprovado por unanimidade o Requerimento nº 3/2025, de autoria da senadora Leila Barros, que autoriza diligência externa a Belém nos dias 18 e 19 de agosto, com participação de senadores e deputados, para vistoria das obras e da organização do evento.
A reunião foi encerrada com agradecimentos aos expositores e manifestações unânimes dos parlamentares sobre a importância da COP 30 para o país e para o protagonismo brasileiro no enfrentamento da crise climática global.




