Brasília, 01 de agosto de 2025 – O governo dos Estados Unidos oficializou, por meio de uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald J. Trump, a aplicação das tarifas adicionais de 40% sobre as tarifas de 10% que já estavam em vigor para os produtos exportados pelo Brasil. O documento, intitulado “Addressing Threats to the United States by the Government of Brazil”, declara uma emergência nacional, sob o argumento de que políticas do governo brasileiro ameaçariam a segurança nacional, a política externa e a economia dos EUA.
A nova tarifa entra em vigor no dia 6 de agosto de 2025, aplicando-se a bens brasileiros importados, com exceções listadas em anexo. A medida poderá ser ampliada caso o Brasil adote retaliações, conforme previsto na Seção 4 da ordem.
- Interferir na liberdade de expressão de cidadãos norte-americanos;
- Coagir empresas sediadas nos EUA a entregar dados, censurar conteúdos e alterar algoritmos;
- Promover perseguições políticas e judiciais, com críticas diretas à atuação do ministro do STF Alexandre de Moraes e aos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro;
- Violar direitos humanos e comprometer o ambiente democrático no Brasil.
- Produtos em trânsito antes da data de vigência;
- Mercadorias como silício metálico, minério de estanho, partes aeronáuticas, energia, celulose, fertilizantes e metais preciosos.
Diante da escalada da disputa, o Brasil tem intensificou nas últimas semanas seus esforços para evitar a consolidação da tarifa ou mitigar os danos, com ações diplomáticas coordenadas entre o governo federal, o Congresso Nacional e o setor privado.
Nesta terça-feira (29), uma missão oficial do Senado brasileiro reuniu-se com parlamentares norte-americanos no Capitólio, em Washington D.C., com o objetivo de expor os impactos bilaterais negativos da nova tarifa e buscar apoio institucional para sua suspensão ou revisão. A comitiva, liderada pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, tem buscado interlocução com membros tanto do Partido Democrata quanto do Partido Republicano — legenda do atual presidente dos EUA.
“Sabemos que não é aqui que vamos resolver o problema das tarifas, mas viemos mostrar que o Senado brasileiro está disposto a abrir o diálogo e construir pontes”, afirmou Trad. Segundo ele, a tarifa pode levar a uma situação de “perde-perde” para os dois países.
Os senadores também visitaram o senador democrata Martin Heinrich, representante do Novo México, estado que importa pelo menos dez produtos brasileiros, e entregaram um convite oficial para visita ao Brasil, com o objetivo de demonstrar a realidade do comércio bilateral.
Na véspera, dia 27, a missão parlamentar brasileira também reuniu-se com a Câmara Americana de Comércio e com representantes do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, além de executivos de empresas como Cargill, ExxonMobil, Johnson & Johnson e Caterpillar. A estratégia visa fomentar uma manifestação conjunta do setor privado americano pedindo ao governo dos EUA o adiamento da entrada em vigor da tarifa.
“Não viemos com bandeira ideológica, viemos com dados e responsabilidade. O ‘não’ nós já temos, viemos correr atrás do ‘sim’”, completou Nelsinho Trad.
Além disso, diplomatas norte-americanos e representantes da indústria norte-americana mantiveram diálogo com o vice-presidente Geraldo Alckmin, em ações conjuntas com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Ministério da Fazenda and MDIC, numa tentativa de evitar um agravamento da crise.
- Retaliação tarifária proporcional;
- Contestação formal na OMC;
- Reforço do canal diplomático e diálogo com o Congresso dos EUA;
- Mobilização do setor privado internacional.
A politização do tema, porém, complica o cenário. A acusação explícita contra o Supremo Tribunal Federal e seus membros, feita em documento oficial da Casa Branca, representa uma ruptura inédita no tom das relações bilaterais e pode dificultar soluções negociadas no curto prazo.
Na quarta-feira (30) os EUA afirmou a Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Um mecanismo previsto na legislação estadunidense usado para punir unilateralmente supostos violadores de direitos humanos no exterior. Entre outros pontos, a medida bloqueia bens e empresas dos alvos da sanção nos EUA.
Linha do tempo da crise tarifária
- 9 de julho de 2025 – EUA anunciam intenção de impor novas tarifas ao Brasil.
- 27 a 29 de julho – Missão oficial do Senado brasileiro realiza agenda com parlamentares e setor privado nos EUA.
- 30 de julho de 2025 – Donald Trump assina ordem executiva declarando emergência nacional e impondo tarifa de 40%.
- 6 de agosto de 2025 – Data prevista para início da cobrança tarifária




