The minerais críticos – como lítio, grafita, terras raras, silício, níquel e cobre – são insumos estratégicos para o avanço de tecnologias de baixo carbono, como baterias, painéis solares, motores elétricos e semicondutores.
Sua relevância decorre não apenas da aplicação na transição energética, mas também da alta concentração de oferta global em poucos países, o que gera uma disputa geopolítica por segurança de suprimento. Nesse contexto, o Brasil desponta como um dos principais países com potencial para suprir essa demanda crescente, reunindo reservas abundantes e uma política industrial voltada à agregação de valor.
Em julho de 2025, avançou no Congresso o Projeto de Lei nº 2.780/2024, que estrutura a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta prevê diretrizes para transformar a riqueza mineral em cadeias produtivas industrializadas, alinhadas à inovação tecnológica e à reindustrialização verde. Paralelamente, o BNDES e a Finep lançaram uma chamada pública que selecionou 56 projetos de transformação industrial de minerais estratégicos, com investimentos previstos de R$ 45,8 bilhões, concentrados sobretudo em Minas Gerais, Bahia, Norte e Nordeste do país.
Esse movimento interno tem repercussão direta no cenário internacional. A crescente demanda global por minerais críticos colocou o Brasil no radar das principais potências econômicas. Os Estados Unidos, em especial, demonstraram forte interesse em ampliar a cooperação com o Brasil, como afirmado por Gabriel Escobar, encarregado de negócios da Embaixada dos EUA, durante encontro com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Esse interesse abrange inclusive o uso desses minerais na indústria de defesa. Há expectativa de que um acordo bilateral seja negociado nos próximos meses, envolvendo também terras raras.
Esse cenário se desenrola em meio a tensões comerciais. Também em julho, o governo norte-americano de Donald Trump anunciou um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, mas isentou 75% dos minérios exportados pelo Brasil e até mesmo produtos como as baterías de íon-lítio, o que foi lido como um gesto político e econômico vinculado à relevância estratégica desses insumos. Apesar da tensão, o Brasil tem mantido postura de abertura ao diálogo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido enfático: o país não aceitará o modelo extrativista do passado. “Não vamos permitir o que aconteceu no século passado, em que o Brasil exporta minério e compra produtos com valor agregado muito alto”, disse em entrevista à Reuters. Lula defende que o beneficiamento e a industrialização ocorram em território nacional, com geração de empregos qualificados e desenvolvimento tecnológico. “O que não queremos é ficar um buraco no Brasil e a riqueza em outros países.”
Para reforçar esse compromisso, o governo também anunciou a criação de uma comissão especial para mapear as riquezas minerais do país, garantindo que a gestão desses ativos esteja alinhada ao interesse nacional. A disputa por minerais críticos, portanto, não é apenas econômica, mas também política e estratégica. O Brasil busca equilibrar a abertura à cooperação internacional com a construção de uma base industrial forte, sustentável e soberana.
Dessa forma, ao investir em políticas públicas, industrialização local e alianças estratégicas, o Brasil se posiciona para transformar seus recursos naturais em ferramentas de soberania e influência geopolítica. Em um mundo que transita para uma economia verde, os minerais críticos são mais que commodities – são o centro de um novo jogo de poder global, no qual o Brasil quer ser protagonista.




