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Mapa de stakeholders no armazenamento de energia: Por que o novo ciclo regulatório o exige?

Imagem ilustrando o conteúdo sobre mapa de stakeholders.

Mapa de stakeholders no armazenamento de energia: inteligência estratégica para um mercado em formação

O armazenamento de energia no Brasil deixou de ser uma promessa distante no setor elétrico brasileiro. Com a publicação da Portaria Normativa MME nº 136/2026, que estruturou os leilões de reserva de capacidade com sistemas de armazenamento em baterias, e com o avanço regulatório da ANEEL sobre os Sistemas de Armazenamento de Energia — SAE, o tema entrou em uma nova fase: a de desenho concreto de mercado.

Nesse novo ambiente, a pergunta central já não é apenas quando o armazenamento será contratado. A questão estratégica passa a ser quem influencia as regras, quais interesses estão em disputa e como cada decisão regulatória, técnica, econômica, operacional ou industrial pode afetar a viabilidade dos projetos de armazenamento de energia, BESS e baterias.

Para empresas, investidores e associações que atuam em mercados regulados, essa mudança exige mais do que acompanhamento de portarias, consultas públicas e agendas institucionais. Exige inteligência aplicada para compreender a rede real de decisão.

É nesse ponto que o mapa de stakeholders no armazenamento de energia se torna uma ferramenta estratégica.

Para a Quorum, o mapa de stakeholders não é apenas uma lista de órgãos e autoridades. É uma metodologia de inteligência institucional que conecta leitura política, análise regulatória, priorização de interlocutores e construção de mensagens para apoiar decisões empresariais em ambientes de alta complexidade.

Por que mapear stakeholders no setor de armazenamento de energia

Projetos de armazenamento de energia, especialmente em escala sistêmica, não dependem apenas de tecnologia, capital e engenharia. Eles dependem de um conjunto complexo de decisões públicas e institucionais que envolvem política energética, regulação econômica, operação do sistema, planejamento setorial, financiamento, conteúdo nacional, controle externo e disputa legislativa.

No caso dos Sistemas de Armazenamento de Energia, esse ecossistema inclui atores como MME, ANEEL, EPE, ONS, CCEE, MDIC, BNDES, Casa Civil, TCU e Congresso Nacional. Também inclui áreas menos visíveis, mas altamente relevantes, como a Subsecretaria de Assuntos Econômicos e Regulatórios do MME, que tende a ganhar protagonismo na calibragem econômica e regulatória das decisões relacionadas ao LRCAP e aos SAE.

Cada um desses stakeholders atua em uma dimensão diferente da agenda, com níveis distintos de influência sobre o desenho do mercado.

O mapa de stakeholders permite organizar essa complexidade. Mais do que identificar quem está envolvido, ele ajuda a compreender:

  • quem decide;
  • quem regula;
  • quem modela tecnicamente;
  • quem opera;
  • quem financia;
  • quem arbitra conflitos;
  • quem pode acelerar a agenda;
  • quem pode criar barreiras;
  • quais interesses precisam ser monitorados;
  • quais mensagens devem ser calibradas para cada interlocutor.

Em um mercado ainda em formação, decisões aparentemente técnicas podem alterar CAPEX, receita esperada, elegibilidade em leilões, custo de conexão, exposição a penalidades, bancabilidade e percepção de risco regulatório.

Por isso, o mapa de stakeholders no armazenamento de energia não é apenas uma fotografia institucional. É uma ferramenta de antecipação de risco e proteção de valor.

O novo ambiente dos SAE exige mais do que acompanhamento regulatório

A agenda de armazenamento de energia avançou de forma relevante. O governo federal definiu diretrizes para a contratação de potência elétrica por novos sistemas de armazenamento em baterias, com dois produtos: Armazenamento Nacional e Armazenamento Geral. A ANEEL, por sua vez, avançou na regulamentação dos SAE e tratou de um dos pontos mais sensíveis para a viabilidade econômica dos projetos: a cobrança pelo uso da rede.

Esse movimento reduziu incertezas importantes, mas também inaugurou uma nova camada de riscos.

O desafio deixou de ser apenas a existência de uma política pública para armazenamento. Agora, a disputa está no detalhe do desenho competitivo, jurídico, operacional e econômico do mercado.

Entre os pontos críticos estão:

  • critérios de conteúdo nacional;
  • bancabilidade dos contratos;
  • regras de conexão;
  • requisitos de despacho;
  • penalidades por indisponibilidade;
  • medição e contabilização;
  • bonificação locacional;
  • critérios de habilitação técnica;
  • rateio de encargos;
  • percepção de custo para consumidores e agentes setoriais;
  • coerência entre portaria, edital, regulação, contratos e operação do sistema.

Nesse cenário, acompanhar publicações oficiais não basta. É preciso compreender a rede de influência que forma cada decisão.

A metodologia da Quorum: do mapa de stakeholders à estratégia de influência

A metodologia de mapa de stakeholders no armazenamento de energia aplicada pela Quorum parte de uma premissa simples: em mercados regulados, decisões não acontecem em linha reta. Elas são resultado da interação entre instituições, interesses, incentivos, restrições legais, prioridades políticas e argumentos técnicos.

Por isso, o trabalho não se limita a identificar nomes e órgãos. A análise considera camadas de decisão e influência, avaliando o papel de cada stakeholder no processo decisório e sua capacidade de afetar o resultado esperado.

No caso do armazenamento de energia, a leitura institucional pode ser organizada em sete núcleos principais.

1. Núcleo político e econômico-regulatório

O primeiro núcleo reúne os atores responsáveis por definir a prioridade da agenda, sua narrativa pública e sua consistência econômica e regulatória.

O MME ocupa posição central ao estruturar o LRCAP de baterias e equilibrar segurança energética, transição energética e política industrial. O Ministério é o dono político da agenda e o principal sponsor institucional do leilão.

Dentro do próprio MME, porém, a Subsecretaria de Assuntos Econômicos e Regulatórios ganha relevância estratégica. A área tende a funcionar como uma camada interna de análise econômica, regulatória e institucional das políticas do Ministério.

Em temas como LRCAP, encargos, conteúdo nacional, desenho de mercado, impacto tarifário e coerência regulatória, essa Subsecretaria pode atuar como filtro de consistência. Sua relevância está justamente na capacidade de conectar diretriz política, impacto econômico, governança regulatória e sustentabilidade do desenho institucional.

Para empresas e associações do setor, isso significa que a interlocução com o MME não deve se limitar ao gabinete político ou às áreas setoriais. A construção de uma tese robusta precisa dialogar também com a lógica econômico-regulatória da política pública.

2. Núcleo regulatório

O núcleo regulatório transforma diretrizes em regras aplicáveis. Nesse ponto, a ANEEL é decisiva para a viabilidade dos SAE, especialmente em temas como acesso à rede, tratamento tarifário, outorga, operação, contabilização e segurança jurídica.

Mesmo com uma política pública definida pelo MME, o desenho regulatório pode ampliar ou reduzir a atratividade dos projetos. Regras mal calibradas podem gerar custos adicionais, incerteza contratual, assimetrias competitivas ou barreiras desproporcionais à entrada de novos agentes.

Por isso, a atuação junto ao regulador exige argumentos técnicos consistentes, linguagem jurídica precisa e demonstração clara de benefício sistêmico.

3. Núcleo técnico-operativo

O núcleo técnico-operativo inclui instituições como EPE e ONS, que influenciam habilitação técnica, planejamento, pontos de conexão, critérios locacionais, despacho e adequação dos procedimentos operativos.

A EPE atua como gatekeeper técnico do leilão. Seus estudos, bases de dados e critérios de habilitação podem influenciar diretamente a competitividade dos projetos.

O ONS, por sua vez, será decisivo para definir como os sistemas de armazenamento serão percebidos do ponto de vista da operação do sistema. Sua visão sobre confiabilidade, flexibilidade, resposta rápida, despacho e pontos de conexão é essencial para demonstrar a utilidade sistêmica das baterias.

Para o setor, esse núcleo exige uma abordagem baseada em evidências. A pergunta-chave não é apenas se as baterias são tecnicamente viáveis, mas onde, quando e como elas entregam valor para o sistema elétrico.

4. Núcleo comercial e contratual

A CCEE tem papel relevante na operacionalização dos leilões, contratos, liquidação e regras comerciais que sustentam a execução prática do modelo.

Esse núcleo é especialmente importante porque a viabilidade de um projeto não depende apenas da diretriz de contratação. Depende também da forma como as obrigações contratuais, penalidades, garantias, liquidação financeira e mecanismos de contabilização serão estruturados.

Em mercados emergentes, a engenharia contratual pode ser tão relevante quanto a política pública.

5. Núcleo industrial e financeiro

Com a criação de um produto voltado ao Armazenamento Nacional, atores como MDIC e BNDES ganharam peso estratégico.

O MDIC, especialmente por meio das áreas voltadas ao desenvolvimento industrial, tem papel relevante na agenda de conteúdo nacional, adensamento produtivo e articulação com fabricantes nacionais. Sua atuação deve ser compreendida como parte da estratégia de política industrial do governo.

O BNDES, por sua vez, pode influenciar a bancabilidade dos projetos por meio de critérios de financiamento, elegibilidade, metodologia de conteúdo nacional e apoio à estruturação da cadeia produtiva.

Para empresas que atuam no setor, o desafio é separar a agenda regulatória da agenda industrial sem tratá-las como universos desconectados. A política industrial pode ser legítima e estratégica, desde que seja progressiva, factível, mensurável e compatível com competição, segurança jurídica e escala de contratação.

6. Núcleo de coordenação política

Casa Civil, Presidência e Vice-Presidência podem atuar como instâncias de arbitragem quando houver conflito entre diferentes objetivos de governo.

No caso do armazenamento de energia, a agenda envolve simultaneamente segurança energética, modicidade tarifária, transição energética, política industrial, conteúdo nacional, atração de investimentos e desenvolvimento tecnológico.

Quando esses objetivos entram em tensão, a decisão pode deixar de ser apenas técnica ou setorial e passar a depender de coordenação política mais ampla.

Esse núcleo deve ser acionado com teses maduras, bem fundamentadas e orientadas a risco sistêmico. A mensagem precisa ir além do interesse setorial e demonstrar impacto para o país, para o sistema elétrico e para o ambiente de investimentos.

7. Núcleo de controle e arena legislativa

TCU e Congresso Nacional compõem uma camada decisiva de validação, contestação ou alteração do desenho institucional.

O TCU pode avaliar legalidade, economicidade, governança, preço-teto, alocação de custos e riscos do certame. Em um tema sensível como contratação de capacidade, a construção de justificativas econômicas e regulatórias robustas é fundamental para reduzir risco de questionamento.

O Congresso Nacional, por sua vez, pode alterar o arcabouço legal, especialmente em temas como encargos, rateio de custos, conteúdo local, contratação de capacidade e competências institucionais.

No caso dos SAE, essa dimensão é especialmente relevante porque o debate sobre quem paga pela capacidade contratada tende a ganhar centralidade à medida que os projetos se aproximam da contratação efetiva.

Armazenamento de energia: uma agenda técnica, política e econômica

O avanço dos sistemas de armazenamento em baterias no Brasil ocorre em um momento de transformação do setor elétrico. A expansão das fontes renováveis, a necessidade de flexibilidade operativa, os desafios de atendimento à ponta e a busca por maior confiabilidade do SIN tornam os SAE uma infraestrutura estratégica.

Mas a consolidação desse mercado depende de escolhas institucionais bem calibradas.

A contratação de baterias como reserva de capacidade pode contribuir para segurança energética, redução de curtailment, menor necessidade de despacho térmico, postergação de investimentos em rede e maior eficiência sistêmica.

Ao mesmo tempo, se as regras forem mal desenhadas, podem surgir distorções de competição, insegurança jurídica, encarecimento de projetos ou barreiras desproporcionais à entrada de novos agentes.

Por isso, o mapa de stakeholders no armazenamento de energia é uma ferramenta de gestão de risco. Ele permite antecipar onde estão os pontos de decisão mais sensíveis e construir uma atuação orientada por evidências, timing e mensagem adequada.

O valor estratégico para empresas, investidores e associações do setor

Para empresas que desenvolvem, financiam, operam ou fornecem soluções de armazenamento de energia, o mapa de stakeholders apoia decisões críticas de posicionamento.

Ele ajuda a responder perguntas como:

  • quais órgãos devem ser priorizados na interlocução institucional;
  • quais temas exigem fundamentação técnica mais robusta;
  • onde há risco de desalinhamento entre objetivos setoriais, industriais e regulatórios;
  • quais argumentos têm maior aderência para cada público;
  • como separar a agenda regulatória da agenda industrial;
  • quando atuar de forma pública e quando priorizar interlocução técnica;
  • quais riscos devem ser monitorados antes da publicação dos documentos finais do certame;
  • como transformar leitura institucional em proteção de valor para o negócio.

No caso de associações setoriais, o mapeamento também permite coordenar mensagens, organizar prioridades e evitar uma atuação dispersa diante de múltiplas frentes regulatórias e políticas.

No caso de investidores e empresas, a ferramenta ajuda a antecipar riscos que podem afetar retorno esperado, cronograma, custo de capital e estratégia de entrada no mercado.

Do diagnóstico à ação: inteligência institucional aplicada

Um bom mapa de stakeholders não é estático. Ele deve ser atualizado conforme a agenda evolui.

No caso dos SAE, a publicação da portaria do LRCAP e a decisão recente da ANEEL mudaram a natureza do risco. A agenda não está mais paralisada. O foco agora está no desenho final do mercado: edital, requisitos técnicos, critérios locacionais, regras operacionais, conteúdo nacional, contratos, penalidades e mecanismos de liquidação.

A partir desse diagnóstico, a atuação institucional precisa migrar de uma postura de defesa da criação do mercado para uma estratégia de governança do seu desenho.

Isso significa construir narrativas técnicas e econômicas capazes de demonstrar que o armazenamento de energia não deve ser tratado como subsídio setorial, mas como infraestrutura de confiabilidade, flexibilidade e eficiência para o sistema elétrico brasileiro.

Também significa compreender que cada stakeholder responde a uma lógica diferente.

Para o MME, a mensagem deve dialogar com segurança energética, confiabilidade e execução da política pública. Para a Subsecretaria de Assuntos Econômicos e Regulatórios, o eixo deve ser racionalidade econômica, coerência regulatória e alocação eficiente de custos. Para a ANEEL, a agenda deve ser segurança jurídica e desenho tarifário-regulatório. Para EPE e ONS, o foco deve estar no valor técnico e operativo das baterias. Para MDIC e BNDES, a abordagem precisa equilibrar desenvolvimento industrial, financiamento e competitividade. Para Casa Civil, TCU e Congresso, a narrativa deve demonstrar interesse público, governança e legitimidade da solução.

Essa diferenciação de mensagem é o que transforma mapeamento institucional em estratégia de influência.

Como a Quorum apoia a agenda de armazenamento de energia

A Quorum atua na interseção entre estratégia, regulação e tomada de decisão pública. No tema de armazenamento de energia, sua metodologia de mapa de stakeholders permite transformar um ambiente institucional complexo em uma estratégia objetiva de atuação.

O trabalho combina leitura política, análise regulatória, priorização de interlocutores, identificação de riscos, construção de mensagens e definição de rotas de influência alinhadas aos objetivos de negócio de cada cliente.

Em um mercado em formação, quem compreende a rede de stakeholders com antecedência ganha capacidade de agir com mais precisão. Para o armazenamento de energia, essa inteligência pode ser a diferença entre apenas acompanhar o novo ciclo regulatório ou participar ativamente da construção das condições que tornarão os projetos viáveis, competitivos e seguros.

 

O armazenamento de energia entrou em uma fase decisiva no Brasil. Com a estruturação dos leilões de reserva de capacidade e o avanço da regulamentação dos SAE, o debate passa a envolver não apenas tecnologia, mas desenho de mercado, política industrial, regulação econômica, operação do sistema e governança institucional.

Nesse contexto, o mapa de stakeholders no armazenamento de energia é mais do que uma ferramenta de análise. É um instrumento estratégico para antecipar riscos, calibrar mensagens, priorizar interlocutores e construir influência qualificada em uma agenda que será central para o futuro do setor elétrico brasileiro.

No novo ciclo regulatório do armazenamento de energia, vencerá quem entender antes a rede real de decisão — não apenas quem acompanhar a portaria, a consulta pública ou o edital.

 

A Quorum apoia empresas, investidores e entidades do setor de energia na construção de estratégias institucionais para temas regulatórios complexos, incluindo armazenamento de energia, BESS e leilões de reserva de capacidade.

Fale com a nossa equipe para estruturar uma leitura estratégica dos stakeholders que influenciam o seu mercado e transformar risco regulatório em inteligência de atuação.

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