Pesquisa

Balanço da EPE e Caderno de MMGD mostram avanços da energia limpa nas residências do Brasil

Balanço Energético Nacional (BEN) 2025, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME), apontou os avanços do Brasil rumo a uma matriz energética mais limpa e descentralizada. Os dados de 2024 mostram que o setor residencial brasileiro atingiu um índice de renovabilidade de 71,8% em sua matriz energética, com protagonismo de fontes como solar, hidráulica e biomassa.

Esse desempenho reflete a combinação de disponibilidade de recursos naturais, amadurecimento de políticas públicas e avanço tecnológico da MMGD e dos sistemas de armazenamento de energia (SAEs). No setor residencial, quase 80% do consumo nacional de energia solar térmica se concentra em residências, usadas principalmente para aquecimento de água. O setor comercial vem em seguida, com 17,4%, e a indústria já incorpora 3,1% dessa tecnologia. De acordo com o BEN, o consumo residencial de eletricidade representou 28,2% do total nacional no último ano, ficando atrás apenas do setor industrial (35,9%).

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Fonte: MME

Micro e minigeração distribuída: consolidação e expansão

O Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), também de realização da EPE, em seu Caderno de Micro e Minigeração Distribuída e Baterias Atrás do Medidor, projeta que a MMGD poderá atingir, no cenário de referência, 78,1 GW de capacidade instalada até 2035, com cerca de 9,5 milhões de consumidores participantes. Dependendo do cenário, esse número pode variar entre 61,4 GW e 97,8 GW. Hoje, a geração distribuída já representa 5,6% da eletricidade gerada no Brasil e cerca de 13% do consumo cativo, com o segmento residencial como principal motor de expansão.

O PDE 2035 também enfatiza o papel das baterias atrás do medidor na modernização da infraestrutura elétrica. A expressiva redução no preço global das baterias de íon-lítio em 2024 abriu novas oportunidades de aplicação nos segmentos residenciais, públicos e industriais.

No Brasil, simulações da EPE indicam que sistemas de armazenamento já podem ser economicamente competitivos em alguns casos — especialmente quando o custo ficar abaixo de R$ 2.000/kWh — otimizando o autoconsumo de energia solar.

O estudo aponta que, com a queda dos custos e possíveis mudanças regulatórias a partir de 2029, o mercado potencial de baterias residenciais pode ultrapassar R$ 200 bilhões em investimentos até 2035. Além de reduzir a dependência da rede, o armazenamento melhora a estabilidade elétrica e aumenta a resiliência diante de variações na geração renovável.

Diante do cenário otimista, a integração entre MMGD e do armazenamento de energia representa uma evolução fundamental para o setor elétrico brasileiro. Com base nos dados do BEN 2025 e nas projeções do PDE 2035, é possível observar que o Brasil está em um momento estratégico: já apresenta alta participação de renováveis na matriz elétrica e avança, mesmo dentro das limitações regulatórias, na descentralização geração e universalização na energia.

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